sábado, 16 de março de 2013

níveis da escrita







Psicogênese da Lingua Escrita







PSICOGÊNESE DA LÍNGUA ESCRITA



Linha de Evolução da Escrita, segundo Emília Ferreiro (1997):


         1                        2                                          3
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1. Distinção entre o modo de representação icônico e não icônico.

2. Construção da forma de diferenciação: controle progressivo das variações sobre os eixos qualitativo e quantitativo.                                                     
                                               
3. Fonetização da escrita: inicia no silábico e culmina no alfabético.



       Pré-Silábico                 Silábico           Silábico-Alfabético            Alfabético
 Descrição: Descrição: C:\Program Files\Microsoft Office\MEDIA\OFFICE14\Bullets\BD10300_.gif____________|____|____|____|______________|______________
               P1          P2        |              S1          S2           |                                                 |


    Período sem                               Período de Fonetização
     Fonetização                                          da Escrita
                               











                           NÍVEL PRÉ-SILÁBICO
ESCRITA PRÉ-SILÁBICA, sem variações quantitativas ou qualitativas dentro da palavra e entre as palavras. O educando diferencia desenhos (que não podem ser lidos) de “escritos” (que podem ser lidos), mesmo que sejam compostos por grafismos, símbolos ou letras. A leitura que realiza do escrito é sempre global, com o dedo deslizando por todo o registro escrito.

Fonte: Revista Nova Escola
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ESCRITA PRÉ-SILÁBICA com exigência mínima de letras ou símbolos, com variação de caracteres dentro da palavra e entre as palavras (variação qualitativa intrafigural e interfigural). Neste nível, o educando considera que coisas diferentes devem ser escritas de forma diferente. A leitura do escrito continua global, com o dedo deslizando por todo o registro escrito.


   
Fonte: Revista Nova Escola

Fonte: Revista Nova Escola
CARACTERÍSTICAS DO NÍVEL PRÉ-SILÁBICO:
• Não estabelece vínculo entre a fala e a escrita.
• Representa coisas e usa desenhos, garatujas para escrever; 
• Supõe que a escrita representa o nome dos objetos e não os objetos; coisas grandes (nomes grandes), coisa pequenas (nomes pequenos);
• Demonstra intenção de escrever através de traçado linear com formas diferentes.
• Usa letras do próprio nome ou letras e números na mesma palavra;
• Não aceita que seja possível escrever e ler com menos de 3 (três) letras (eixo quantitativo) e uma variedade de caracteres dentro da palavra (variação qualitativa intrafigural) e entre as palavras (variação qualitativa interfigural), eixo qualitativo.
• Tem leitura global, individual e instável do que escreve: só o educando sabe o que quis escrever
NÍVEL SILÁBICO
ESCRITA SILÁBICA sem valor sonoro convencional. Cada letra ou símbolo corresponde a uma sílaba falada, mas o que se escreve ainda não tem correspondência com o som convencional daquela sílaba. A leitura é silabada.

    
Fonte: Revista Nova Escola
ESCRITA SILÁBICA com valor sonoro convencional. Cada letra corresponde a uma sílaba falada e o que se escreve tem correspondência com o som convencional daquela sílaba, em geral representada pela vogal, mas não exclusivamente. A leitura é silabada.



Fonte: Revista Nova Escola



CARACTERÍSTICAS DO SILÁBICO SEM VALOR SONORO (EIXO QUANTITATIVO):
• Começa a ter consciência de que existe alguma relação entre a fala e a escrita.
• Só demonstra estabilidade ao escrever seu nome ou palavras que teve oportunidade e interesse de memorizar.
• Conserva as hipóteses da quantidade mínima e da variedade de caracteres. 
• O educando tenta corresponder um fonema para cada grafema (o som da fala a cada letra escrita), mas a utilização dos símbolos gráficos é aleatória e nem sempre a representação dos fonemas corresponde à escrita convencional. 

CARACTERÍSTICAS DO SILÁBICO COM VALOR SONORO:
• Já supõe que a escrita representa a fala;
• Tenta fonetizar a escrita e dar valor sonoro às letras;
• Pode ter adquirido, ou não, a compreensão do valor sonoro convencional das letras;
• Já supõe que a menor unidade da língua seja a sílaba;
• Supõe que para cada sílaba oral corresponde uma letra ou um sinal;
• Em frases, pode escrever uma letra para cada palavra;
• Compreende que a escrita representa o som da fala;
• Combina só vogais ou só consoantes. Por exemplo, AO para gato ou ML para mola e mula;
• Passa a fazer uma leitura termo a termo (não global). 



    NÍVEL SILÁBICO-ALFABÉTICO
ESCRITA SILÁBICO-ALFABÉTICA. Este nível marca a transição do educando da hipótese silábica para a hipótese alfabética. Ora ele escreve atribuindo a cada sílaba uma letra, ora representando as unidades sonoras menores, os fonemas.


Fonte: Revista Nova Escola
CARACTERÍSTICAS DO NÍVEL SILÁBICO-ALFABÉTICO:
• Inicia a superação da hipótese silábica;
• Reconhece o som das letras;
• Estabelece uma vinculação mais coerente entre leitura e escrita;
• O educando se concentra na sílaba para escrever;
• Surge a adequação do escrito ao sonoro;
• As unidades linguísticas (palavras, letras, sílabas) são tratadas como categorias estáveis (antes não tinham nenhuma relação entre si) 
• Presença da oralidade (escreve do jeito que fala, com isso surgem os problemas relativos à ortografia);
• Leitura sem imagem e com imagem;
• Compreende que cada um dos caracteres da escrita (letras) corresponde a valores sonoros menores que a sílaba. 
• Consegue combinar vogais e consoantes numa mesma palavra, numa tentativa de combinar sons, sem tornar, ainda, sua escrita socializável;
Passa a fazer uma leitura termo a termo (não global).





NÍVEL ALFABÉTICO
ESCRITA ALFABÉTICA. Neste estágio, o educando já compreendeu o sistema de escrita, entendendo que cada um dos caracteres da palavra corresponde a um valor sonoro menor do que a sílaba. Agora, falta-lhe dominar as convenções ortográficas.

Fonte: Revista Nova Escola

CARACTERÍSTICAS DO NÍVEL ALFABÉTICO:
• Compreende que a escrita tem uma função social: a comunicação;
• Compreende o modo de construção do código da escrita.
• Compreende que cada um dos caracteres da escrita corresponde a valores menores que a sílaba;
• Conhece o valor sonoro de todas as letras ou de quase todas;
• Pode ainda não separar todas as palavras nas frases;
• Omite letras quando mistura as hipóteses alfabética e silábica;
• Não é ortográfica nem léxica.






SITUAÇÕES DIDÁTICAS ENVOLVENDO OS
NÍVEIS DE ESCRITA
 TRABALHO COM LETRAS
·      Letras do alfabeto: Jogos de alfabeto de materiais e tamanhos diferentes. Letras móveis para o educando montar espontaneamente palavras. Bingo e memória de letras. Atividades de escrita com letras. 
·      Nomeação e identificação: Criar tiras com o alfabeto e figuras para serem materiais de consulta. 
·      Analise das formas posições das letras: Atividades de escrita para o educando analisar, por exemplo, quantas pontas têm o H, quantas retas e utiliza no traçado do A, M, E,  quantas curvas temas letras C, P, etc.
·      Valor sonoro – relação letra/som: jogos de memória com figura e letra inicial. Bingo de figuras. Alfabeto vivo. 

TRABALHO COM PALAVRAS
·      Nome próprio: Crachá com nome e foto ou desenho (autorretrato feito pelo educando.
·      Montar o nome com letras móveis. Bingo de nomes, de fotos e/ou autorretrato. Dominó de nomes (letra inicial / nome). Painel de chamada com cartões de nomes.
·      Análise da linguística da palavra: Letra inicial e final, número de letras, letras repetidas, vogal, consoante. Atividades de escrita com palavras.
·      Memorização de palavras significativas: Atividades de escrita. Listas de palavras.
·      Conservação da escrita de palavras: Atividades de escrita: complete, forca, enigma, “stop”, cruzadinha. Listas de palavras. 




 TRABALHO COM FRASES E TEXTOS
·      Sentido e direção da escrita: Produção coletiva de listas, receitas, bilhetes, recados, etc. (sendo o professor o escriba). Ler para o educando (apontando sempre onde está lendo).
·      Vinculação do discurso oral com texto escrito: Leitura de história e reescrita espontânea individual ou produção coletiva. Escrita de história vivida pelos educandos. 
·      Junção de letras na formação das silabas: Listas de palavras. Atividades de escrita: complete, forca, enigma, “stop”, cruzadinha.





NÍVEIS DE ESCRITA - AGRUPAMENTOS PRODUTIVOS
 APRENDER JUNTOS: AGRUPAMENTOS PRODUTIVOS
• Pré-silábico COM Silábico sem valor sonoro.
• Silábico sem valor sonoro COM Silábico com valor sonoro.
• Silábico com valor sonoro COM Silábico-Alfabético.
• Silábico-Alfabético COM alfabético.

ALGUMAS DIFICULDADES QUE O EDUCANDO ENCONTRA QUANDO CHEGA NO NÍVEL ALFABÉTICO
• Transcrição fonética: tumati – kavalu = tomate – cavalo
• Segmentação indevida: utumati = o tomate, com seguiu = conseguiu.
• Juntura vocabular – uka valu = o cavalo, agente = a gente.
• Troca do ao pelo am, i por u (e vice versa): paum = pão.
• Ausência de nasalização: troca de m por n ou til (vice e versa): comseguiu – cõsegiu.  
• Supressão ou acréscimo de letras.
• Troca de letras / origem das palavras (etimologia): zino = sino, geito = jeito. 
• Escrita não segmentada: UKAVALUPIZO"UTUMATI = o cavalo pisou no tomate. 
• Não registra silabas de estruturas complexas: os dígrafos, o padrão CCV. 
• Frases descontextualizadas e textos sem seqüência lógica.
• Escrita espelhada: d por b, p por q.
• Hipercorreção: coloo – colou, medeco – médico.


"É importante que o professor atue nessas tarefas como um mediador, observando e intervindo de acordo com as necessidades de cada aluno", afirma Francisca Izabel Pereira Maciel, diretora do Centro de Alfabetização. Leitura e Escrita (Ceale), da Universidade Federal de Minas Gerais. Quando a garotada vai escrever uma cantiga já memorizada (como a da atividade Escrever para aprender a escrever), por exemplo, o ideal é fazer intervenções específicas para que haja reflexão sobre as letras e palavras a usar.
Atividade:
  Escrever para aprender a escrever
O que é: a escrita de textos memorizados - como cantigas, parlendas, trava -línguas e quadrinhas - ou de listas (de nomes, frutas, brinquedos etc.) que podem ser escritos com lápis e papel ou com letras móveis.
Quando propor: em dias alternados com as atividades de leitura para reflexão sobre o sistema de escrita . A atividade deve ser realizada com alunos não alfabéticos. Para os alfabetizados, é aconselhável propor um trabalho sobre ortografia ou pontuação, uma vez que eles já sabem escrever.
O que a criança aprende: concentrada apenas no sistema de escrita - pois o
conteúdo ela já sabe de cor -, a criança pode se voltar apenas ao "como escrever", pensando em quantas e quais letras usar. Ela se esforça para encontrar formas de representar graficamente o que necessita redigir, avançando no processo de alfabetização.
Como Trabalhar a Organização da turma: a produção escrita é uma atividade em que a formação de agrupamentos produtivos tem ótimo resultado.  A professora  junta crianças com níveis próximos.Argumentando com o colega e trocando idéias, a criança não só consegue organizar sua concepção sobre a escrita como também repensá-la.

Desenvolvimento da atividade: em uma das aulas , a professora sugeriu que a turma escrevesse a letra da música Cai, Cai, Balão, já memorizada por todos. O desafio era escolher letras e formar as palavras necessárias para compor o texto com a ajuda do parceiro. Ao ver o colega começar o primeiro verso com A - quando deveria ser escrita a palavra "cai" -, uma menina sinalizou que não era essa a letra."Coloca o C de cai!", disse ela, encontrando certa desconfiança do parceiro.A professora  interveio, pedindo que o aluno comparasse a palavra "cai" com um dos nomes da turma - Carina. "O começo das duas palavras não é parecido?", perguntou. Dessa forma, os dois concordaram, escreveram a palavra e passaram adiante na tarefa.
Confirmar o que está escrito: uma última etapa é fundamental nessa atividade: a professora pede que os alunos leiam o que acabaram de produzir. Assim, há espaço para problematizar a diferença entre o que se lê e o que se escreve. Ela passa ao menos uma vez pelas carteiras no decorrer do trabalho. Ao perguntar a uma dupla o que já tinha escrito, soube que os três primeiros versos estavam ali representados."E onde está escrito mão?", indagou. Os dois se entreolharam. Um deles mostrou: "NU". "Com que letra começa mão?", pergunta. "Com M!", respondeu o outro aluno. "Não está faltando letra nesse verso, então?", questionou ela, liberando os dois para discutir os próximos passos. Permitindo que os alunos trabalhem em dupla, ela deixa de ser a única informante válida na classe e ganha mobilidade para dar atenção a quem precisa de mais ajuda.
Para os alfabéticos - que vão se tornando mais numerosos com o passar do ano -, essa atividade tem outro objetivo, já que eles sabem escrever. Trabalhando entre si, eles devem melhorar a ortografia e a segmentação - é comum escreverem as palavras corretamente, mas juntando umas às outras. Quando passa nesses grupos para acompanhar o andamento da tarefa e vê que há erros ortográficos,  convida os estudantes a consultar o dicionário. Assim, ela não corrige, mas ensina a buscar a grafia correta.
Momentos de leitura e escrita individuais também fazem parte do planejamento porque é necessário que cada aluno tenha espaço para desenvolver as próprias idéias. Isso acontece, por exemplo, no cantinho de leitura, que a turma freqüenta diariamente, nos intervalos entre as atividades ou nos momentos especialmente destinados a isso.
É nesse espaço que ficam reunidos materiais como livros, jornais, folhetos de propaganda e enciclopédias. "Ofereço uma diversidade de textos à qual eles dificilmente teriam acesso". Toda semana, as crianças podem escolher uma obra e levá-la para casa com a recomendação de ler com os familiares. A importância desse momento é enfatizada nas reuniões de pais,  onde  são  incentiva também a acompanhar o progresso dos filhos pelos cadernos. "Digo que as crianças vão sentir que o empenho em aprender está sendo reconhecido."

 QUALQUER DÚVIDA EMAIL. miranda.claudinha@hotmail.com
passarei o arquivo na integra

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